09 mars, 2008

clube do choro

O dia foi pálido. Estranhamente desbotado entre anúncios de casas e gramas molhadas sob os pés. O convite veio sorrateiro num desses momentos em que você se senta na frente do computador sem saber para que canto da tela olhar primeiro. Assim, vamos? Claro que vamos. E fomos. A genialidade do maestro Severino com seus 60 anos de bossa fez-me rir da dor de meu retorno e do fato de eu ter trocado os solfejos pela política. Embora sempre os mescle quando, numa fragmentação carnal devido aos excessos de álcool no sangue, canto um ‘adeus, batucada!’ e por vergonha já sinto público demais. Seu Severino me deu as costas para deslizar os dedos nas teclas surradas do piano. Vez ou outra levantava um sorriso velho. Visitando Vinicius e Tom, passeando por Luiz Bittencourt e Haroldo Barbosa, Os Cariocas batucaram em minhas clavículas com os ossos de meus dedos finos, embora só nós soubessemos do fato.

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Então vi uma tentativa de aproximação mal feita e escutei um sussurro ao lado: devagar com a louça que eu conheço a moça! Eu conheço a moça, devagar com louça! Claro, ela, como muitos ali, era dissimulada, mais enrolada que linha e carretel. Um samba que não cabia. Sempre prezei a sinceridade de quem diz que com samba não quer nada, portanto, a desprezei por sua dissimulaçao barata. Tanta gente fina por aí que fala tanto, mas no final não samba nada!

http://www.youtube.com/watch?v=IvXtLX5imX0