26 mars, 2008

quintal cerrado


Incólume e impregnada de poeira lúdica, passeei pela rua de tua antiga casa. Ainda que sob os mesmo alicerces e aparentemente imóvel, era um quê de não-ser de seu próprio cimento.

Pensei na vontade amarela que teve ela um dia, mas não num tom chato-bebê. Suas paredes ficaram foi com um amarelo-skol ensurdecedor de olhos. Quando ia te chamar pra brincar de elástico a avistava de longe e já dava arrepios. Parecia que a cor vibrava nos olhos. E a gente saltava no mesmo sentido dela.

Então parei na frente dela com a poeira do corpo aumentada e senti, entre seus vários devires, que o de agora, de crescidos que estão meus olhos, é o mais singelo.

A falta de cor me faz pensar no brilho que ela não carrega mais. Mas ao invés de vê-la com o descaso do tempo na tinta velha nem-branca-nem-cinza, vejo um elogio sublime.

É que ela emprestou as linhas que a contornava destacando-a do horizonte lá no fundo para o contorcimento das árvores, que cresceram ali com a gente. É o quintal que contém o cerrado que nos criou. É o cerrado que agora salta aos olhos com a alegria de um marrom descascado que berra.